Além de cumprir a legislação vigente, conforme reza o artigo 16, 19 e 21 da Lei Municipal 5.583 de 23/05/2005, a 1ª RENOVAÇÃO DO CERTIFICADO DAS FOLIAS DE REIS DE PATOS DE MINAS e REGIÃO teve como objetivo valorizar a cultura imaterial de Patos de Minas, por meio do reconhecimento institucional, pelo poder público, da importância das Folias de Reis para a cultura e para a história do município. Foi também intenção do evento, estimular a realização de ações nas diversas regiões do município de Patos de Minas e cidades vizinhas, sensibilizando a sociedade para o reconhecimento e transmissão de seus valores culturais.
Em 2007, as Folias de Reis foram declaradas “PATRIMÔNIO CULTURAL DE PATOS DE MINAS” por meio do Decreto 3003 de 10 de agosto de 2007. Cerca de 85 folias são cadastradas pela prefeitura. O significado deste gesto vai além do reconhecimento público do Município à contribuição dispensada pelos grupos detentores das Folias. A iniciativa também ajuda a destacar a importância dos grupos na formação da identidade cultural do Patense. Por outro lado, o reconhecimento permite aos agentes públicos apoiarem e promoverem os grupos sociais, permitindo o desenvolvimento cultural, social e humano das comunidades detentoras.
Na noite de ontem, a Folia de Reis da comunidade de Colônia Agrícola, dos capitães Wilson Francisco e Gilson Rodrigues, fizeram apresentação, iniciando a noite de celebrações. O grupo foi o primeiro a receber o certificado da 1ª Renovação do Registro das Folias de Reis como Patrimônio Cultural de Patos de Minas.
História
A origem da Folia de Reis está diretamente ligada ao nascimento do menino Jesus. Celebrada entre os dias 25 de dezembro e 06 de janeiro, sua inspiração vem dos três reis magos, que foram a Belém visitar e presentear o menino Jesus. A formação da Folia de Reis, como a conhecemos no presente, é resultado de um longo processo de construção simbólica, que perpassa pela história de vida e, posteriormente, pelas lendas que contam o traslado dos restos mortais dos três reis magos na Europa, ao longo da história.
Depois de visitar o menino Jesus quando nasceu, reza a lenda que depois de 50 anos os três reis magos voltaram a se encontrar, dessa vez na cidade de Sewa, na Turquia, onde permaneceram até suas mortes. Ali foram enterrados.
Algumas teorias dizem que as Folias de Reis nasceram na Alemanha, outras, que nasceram na Espanha e em Portugal. Bom, o fato é que a Folia de Reis, tal como a conhecemos hoje, chegou ao Brasil no início da colonização, no decorrer do século XVI. Trazida pelos portugueses, ela se espalhou rapidamente por todas as regiões do país.
Em Patos de Minas, ocorreu situação semelhante, junto com a ocupação do território/região iniciaram-se as festividades de Reis, com a introdução das Folias. Tudo começou a partir de 1737, quando foi aberta a picada de Goiás e iniciou-se o processo de concessão de Sesmarias. Salientemos, especialmente, a de Afonso Manuel Pereira, que corresponde à região na qual se encontra Patos de Minas.
Em 1826, com a carta de doação dessas terras ao Santo Antônio, por Silva Guerra, consolidou-se o processo de ocupação e povoamento da cidade. Desse modo, é provável que no final do século XVIII e limiar do XIX surgiram os primeiros grupos de Folia de Reis de Patos de Minas.
Dessa época até o ano de 1965, as Folias perambulavam pelo município de Patos de Minas e cidades vizinhas, rezando, pedindo esmolas e fazendo suas festas particulares e também suas obras de caridade. Nessa ocasião, em geral, os grupos não eram reconhecidos pela Igreja e nem pelas autoridades constituídas. Era comum, inclusive, eles terem que pedir autorização policial para foliar, como bem lembrou José Davi Sobrinho, Capitão da Folia do Aragão e folião de longa data.
Apenas no ano de 1965, por meio da iniciativa do prefeito Binga, do Bispo Dom Jorge Scarso e do radialista Wulfrânio Patrício, o trabalho das Folias de Reis foi institucionalizado. Iniciou-se oficialmente uma grande campanha em prol do dispensário de São Vicente, da qual passou a participar gradativamente todas as Folias da região. Assim, já são 46 anos de ação solidária dos foliões, devotos e simpatizantes, em prol da nobre causa dos velhinhos do dispensário.
Nesse sentido, a importância da Folia de Reis não se limita ao fato de ser um bem patrimonial da cultura imaterial de Patos de Minas. Também deve ser levado em consideração o papel social que ela tem exercido na cidade de Patos de Minas ao longo da história, principalmente junto às classes sociais menos favorecidas.
Fonte : SECOM