Desde a primeira edição do Programa de Educação Profissional (PEP), realizada em 2007, o número de mulheres que fazem curso técnico por meio do PEP é superior ao número de homens. Só para se ter uma ideia, até a quarta edição do Programa 61% dos cursistas eram do sexo feminino. O catálogo de cursos é composto por atividades que podem ser exercidas por homens e por mulheres, mas existem áreas em que elas são a maioria.
O curso técnico em Secretariado é um bom exemplo, no Instituto Cultural Newton Paiva Ferreira Ltda, que é uma das instituições que ofertam o curso, entre os 121 alunos apenas cinco são do sexo masculino. Segundo a coordenadora do curso, Solange Giorni, essa diferença se deve ao fato da profissão ser muito feminina. “As empresas buscam profissionais multifuncionais e normalmente as mulheres têm esse perfil. Mas nada impede que os homens também se saiam bem na profissão. Tenho alunos que já conseguiram uma colocação no mercado”.
Para a estudante
do 2º modulo do curso técnico em Secretariado, Caroline Lopes Faria de Oliveira, o baixo interesse dos homens pelo curso se deve ao fato do preconceito que muitos têm da profissão. “Tanto o curso quanto a profissão apresentam possibilidades tanto para homens quanto para mulheres. Mas muitos homens se sentem discriminados e acabam achando que o curso é voltado apenas para mulheres”. A estudante que está fazendo estágio há menos de uma semana escolheu o curso porque gosta muito de organização e para ela a Secretária faz isso: organiza.
Mulheres são maioria nos cursos do PEP. Arquivo ACS/SEE
Mas não são apenas nos cursos ‘mais femininos’ que as mulheres estão presentes. Elas também aparecem nas áreas dominadas pelos homens. A aluna do curso de Manutenção Automotiva, oferecido pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai-MG), Marcela Faria, por exemplo, é a única mulher em uma turma de 40 alunos. Para a estudante, que escolheu o curso para complementar seus conhecimentos, mesmo sendo uma área ‘dominada pelos homens’ as mulheres podem se destacar. “Eu já tinha feito um curso de Mecânica e resolvi me inscrever no PEP para ampliar minhas possibilidades. No curso nós aprendemos a dar manutenção no carro, a construir diferentes peças, entre outras coisas. As mulheres podem se sobressair em vários aspectos da profissão. Nós somos muito detalhistas e, por isso, desamassar lataria e pintar veículos são algumas das atividades que desenvolvemos muito bem”.
Para Marcela mesmo sendo uma atividade na qual é necessário colocar a mão na massa, as mulheres não perdem sua feminilidade. O objetivo da estudante é se formar e conseguir um emprego em uma oficina para ganhar cada vez mais experiência.
A realidade da estudante do curso técnico em Mecânica, do Senai, Ludmila Cristina da Silva,também não é diferente. A sala da estudante tem 38 alunos e apenas quatro meninas, fato esse que não desanima Ludmila. “Comecei a fazer o curso por curiosidade e estou gostando muito. O mecânico pode trabalhar com construção de peças e conserto de máquinas. Não tem que ficar apenas em baixo de um carro”.
Ludmila está entre as quatro meninas que fazem o curso técnico em Mecânica, no Senai. Foto: Arquivo Pessoal
Prova de que as mulheres podem se dar muito bem nas áreas dominadas pelos homens é a Inspetora de Solda, Geana Carla Sousa Oliveira. Ela se formou no curso de Metalurgia em julho deste ano e buscou o curso para complementar sua formação. Hoje, Geana é a única mulher na fabrica onde trabalha e durante o curso não era diferente. “A minha turma tinha 46 homens e apenas quatro mulheres”.
Para Geana as mulheres podem fazer o curso normalmente. Além disso, é uma área que está em expansão. “O campo está abrindo e financeiramente falando é um mercado muito atrativo. A área não tem apenas ‘trabalhos pesados’. As mulheres podem trabalhar também em laboratórios com controle de qualidade, por exemplo”. A Inspetora de Solda concluiu o curso de Metalurgia na Meta Escola Técnica de Formação do Profissional Ltda, que é uma das instituições que ofertam o curso.
Fonte : Secretária de Estado de Educação