Começaremos hoje com uma leitura para reflexão de geografia:
“[...] Talvez um dos grandes indicadores do subdesenvolvimento seja a perda da identidade das populações pela imposição de uma itinerância nascida da pobreza. Mais do que um problema de superpopulação, a emigração é produto da má distribuição de recursos. Também falso é alegar que as calamidades naturais são as suas causas. Dificilmente as regiões atingidas por esses fenômenos, quando localizadas em regiões ricas, expulsão suas populações. A sociedade civil e o Estado, fortemente organizados, mobilizam recursos para socorrer as vítimas e garantir-lhes a possibilidade de recuperar os prejuízos. Portanto, a natureza tem, nessas circunstâncias, um peso relativo. No caso brasileiro, as secas do Nordeste como causadoras da emigração dessa região serviram historicamente para camuflar as verdadeiras causas que residem na precariedade das suas estruturas políticas e sociais. Raramente se fala de uma outra migração que é um verdadeiro flagelo brasileiro – a expulsão dos índios de seus territórios naturais. As formas brutais como essas comunidades têm suas culturas desestruturadas, quando não são elas mesmas massacradas ou colocadas nos trabalhos servis, acabam fazendo com que muitas vezes tomem o caminho das cidades, onde se transformam em verdadeiros párias [...]”.
(FRANCISCO CAPUANO SCARLATO, 2008, p. 399 e 400).
Agora interpretemos a situação. É interessante onde o estudo e a pesquisa consegue nos levar. Enquanto a literatura nos puxa para lugares além da nossa imaginação, a ciência nos traz a realidade à tona, nos deparamos com os conflitos sociais e ficar pasmo é para quem se acomoda no sofá em frente à televisão que traz informações alienadas.
Conflitos sociais ocorridos com as migrações intranacionais como a geração de pobreza e a segregação de povos e raças fazem com que a criminalidade aumente, falta assim educação e saúde para muitas pessoas que vivem na margem da sociedade por causa da disponibilidade e também da qualidade nos serviços prestados, entre tantos outros problemas sociais. Tudo isso gera uma série de consequências, onde o melhor caminho é apagar os laços de afetividade com a cultura angariada desde o primeiro suspiro de vida em seu antigo habitat, para que a região de destino não crie relações de discriminação com os “invasores”. É todos vivem como canários do mato presos em gaiolas em uma nova selva, a de pedra.
Enquanto o país e os governos estaduais encobrem e utilizam as maquiagens pré-fabricadas em relação à essas migrações utilizando da natureza, que não tem como se defender com palavras prontas, a corrupção e a falta de escrúpulos de políticos que conseguem visualizar apenas o próprio umbigo cresce por debaixo dos olhos vendados pela mídia que não se interessa em opor opiniões sobre a relação. É mais prático se calar para que a boca não solte faíscas e acenda a bomba… não dá para competir sozinho com os ‘canhões’ eleitorais.
É certo que a natureza pode influenciar (e muito) em todo esse processo migratório nacional, mas será que se houvesse uma fiscalização mais ativa e uma visualização mais abrangente do crescimento econômico e cultural das regiões “esvaziadas” pelos olhos gordurosos e sangrentos dos políticos, os investimentos na infraestrutura e no desenvolvimento sustentável poderiam paralisar tal processo de migração e até gerar um retorno considerável dessa população para seu lugar de origem?
Com certeza o país conseguiria se expandir economicamente e culturalmente com maior rapidez. Mas esqueço de duas coisas:
1º – A grande maioria de nossos políticos não tem uma estrutura educacional adequada para os cargos que eles exercem, então como conseguir uma visão crítica e analítica de determinadas situações se não existe conhecimento sobre o assunto?
2º – Quem irá bancar as férias e farras dos nossos “representantes públicos” se os gastos forem para o povo? Porque o dinheiro do povo seria para bancar os interesses primordiais desse mesmo povo e garantir efetivamente seus direitos fundamentais.
Por enquanto estamos seguros de nossos direitos fundamentais pela Constituição Federativa do Brasil de 1988. É uma pena que aqui quase tudo não funciona em sua plenitude.
Parabens, muito bom.
Obrigado pelos comentários!
Os problemas sociais acabam com esse Brasil, ningue´m merece a atual situação e o povo nao vê nenhuma perspectiva de melhora.
PARABÉNS PELO TEXTO, GOSTEI MUITO.