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Quem Será nosso próximo Herói? - Antônio Ribeiro de Castro

Quem Será nosso próximo Herói?

Estamos assistindo ao espetáculo da morte de brasileiros sem parâmetros de reflexão que nos possibilite negá-lo.

É notória que a exclusividade televisiva que invade o nosso cotidiano é uma espécie de processo ideológico que privilegia e ameniza a estupidez das cúpulas dominantes.

A enormidade de assassinatos veiculados com Slogans de “exclusivo”, “imagens inéditas”, “a primeira equipe de reportagem a chegar ao local da chacina”, “entrevista exclusiva com o assassino”, dentre outras malabares circenses superficialisam as gravíssimas causas sociais que originam tais absurdos. Os absurdos do decepamento humano dos nossos dias sem motivos aparentes, sem necessidades, sem justificativas estão diretamente relacionados com a injustiça social e com a indecência política vigente em nosso país.


A injustiça social é desesperadamente o ápice de nossa desordem e de nossa dualidade. A dualidade do ter e do ser. Temos, não somos. Temos armas, não somos capacitados por uma educação de qualidade. Temos a avidez monetária e material, não somos solidários. Temos a estupidez do consumo, não somos justos. Temos a crueldade do egocentrismo, não somos politicamente conscientes. Sem consciência política tudo se torna espetáculo, superficialidade, aceitação. A miséria intelectual aflorante em nosso solo brasileiro condena-nos a meros espectadores de nossas próprias desgraças. Aplaudimo-nas enquanto bebemos e brindamos nossa própria morte.


A indecência política é a epidemia a justificar toda a injustiça social existente. O poder que gera os dominantes é o mesmo poder que espalha a desgraça dos miseráveis.

O poder que permite a corrupção é o mesmo poder que espalha a violência sem limites em todo o Brasil. O poder que avulta transações partidárias em forma de propinas e obras superfaturadas é o mesmo poder que avilta a dignidade humana dos assalariados. O poder que reajusta seus próprios salários sem consultas à sociedade que os elegeu é o mesmo poder que rouba da sociedade o direito do conscientizar-se politicamente. Este conscientizar-se deriva de uma boa educação a qual, infelizmente, inexiste no Brasil. A indecência política a sufoca oferecendo esmola aos educadores, sucateamento das escolas públicas e, consequentemente, a exaustiva adestração dos estudantes brasileiros para o competitivo mercado de trabalho. Daí resulta este vazio de valores condizentes com a condição humana e esta inércia coletiva diante da barbárie que nos assusta a todos.


Enquanto a educação estiver à mercê da política o Brasil continuará a chorar a morte de suas crianças, de suas mulheres, de suas minorias e de sua juventude. Enquanto os políticos forem mais bem pagos do que os responsáveis pelos serviços públicos essenciais como a educação, a saúde, a segurança e a justiça social estaremos a buscar Heróis para encobrir a culpa dos que nos comandam e nada fazem em prol da sociedade brasileira. Enquanto aceitarmos esta mídia estupidamente fantasmagórica evidenciar Heróis para amenizar ou calar a fúria dos que poderiam protestar, estaremos, covardemente, aceitando a proliferação de políticos burgueses e corruptos, educadores sem consciência política e alunos reféns de uma sociedade alicerçada na falta de educação, na falta de justiça social e com total ausência de solidariedade, compaixão e amor a si mesma e ao próximo. Quem será nosso próximo Herói? 
 

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