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Trânsito Intransitável - Antônio Ribeiro de Castro

Trânsito Intransitável

Errar é humano, persistir no erro é tolice. Amenizemos o último termo. Pensar pequeno o substitui e evidencia a capacidade logística de quem toma certas decisões na trajetória estrutural de nossas cidades. A pessoa humana está sempre fora dos projetos urbanos. Há um predomínio vigente em grande parte do Brasil de projetar perímetros urbanos visando apenas automóveis de passeio. O caminhar, o pedalar, o ir e vir em transporte público de qualidade – direitos essenciais da pessoa humana – estão absurdamente fora dos planos de quem toma as decisões urbanísticas.


Patos de Minas não foge a esta tendência pós-moderna. Trânsito intransitável, caótico e sem perspectivas de melhorias. Quem dirige por aqui sabe o quanto é desordenado o nosso trânsito. Quem anda a pé sabe dos riscos que corre. De bicicleta então, nem se fala. De moto, meu Deus. De ônibus coletivo, me livre, oh Bom Pai. De moto-taxi, socorro é um assalto. Resultado, muitos acidentes com vítimas com ferimentos, traumatismos e até fatais, nervos a flor da pele por parte de motoristas, passageiros, pedestres, ciclistas, motociclistas dentre outros. É o cotidiano em Patos.


Mas não fiquemos tão superficiais. Aprofundemos um tiquinho só. Uma cidade que projeta seu principal ponto turístico para conter automóveis, que ao jogar massa asfáltica nas margens de um córrego achocalha ser a obra do século XX, que possui semáforos em cada esquina, quebras molas espalhados por toda a cidade, motoristas que não sabem ler nem respeitar a sinalização de trânsito, que tem um transporte público tartaruga e sem respeito nenhum pelos usuários – quem tem hora marcada e anda de coletivo sabe –, que possui uma frota de moto-taxi sem parâmetros de preços – não possuem tarifa única para o perímetro urbano, e deveria possuir pelo fato de já serem regulamentados por lei –, que converge todo o fluxo de veículos para a Rua Major Gote, quando deveria ser o contrário, que transforma em estacionamento de veículos o espaço que poderia ser o nosso primeiro calçadão – compreendido entre o Fórum e a Sideral. Não para por aqui não. Ainda há mais pequenices no pensar e no agir. Na avenida J K, entrada e saída da cidade, estão brincando de fazer retornos, contornos, acesos à pista central, obstáculos dentre outras firulas. Para uma cidade que pretende acompanhar o crescimento atual dos países em desenvolvimento, dentre os quais se destaca o nosso Brasil, estamos jogando dinheiro fora. Na JK precisa-se de passarelas e de viadutos para acesos aos bairros que a circundam, precisa-se de mais faixas para o maior e melhor fluxo de veículos, precisa-se de ciclovias bem definidas bem como faixas propícias para os amantes da caminhada, nada disso está sendo pensado. E os acidentes estão cada vez mais freqüentes e mais graves. 


Não se fundamenta um trânsito correto sem investimento inteligente em educação dos motoristas – cadê as auto-escolas?, em infra-estrutura plausível – cadê os projetistas do poder público, cadê as lideranças políticas de Patos de Minas? Em investimento maciço em transporte público de qualidade – cadê empresas concorrentes? Cadê os corredores para os ônibus? Cadê o preço único e revelado dos moto-taxis? Mas acima de tudo não se fundamenta trânsito nenhum sem a valorização da pessoa humana. Esta sim não está no foco das nossas autoridades. Só para reforçar esta afirmação: coletivo não circula pela Major Gote, somente carros particulares estacionados por toda sua extensão ou engarrafando o trânsito em horário de pico, não há nenhum calçadão em Patos, não há ciclovias, não há passarelas.


Para melhorar nosso intransitável trânsito deve-se priorizar o ser humano, o coletivo e não a máquina e o individualismo burguês. Cidade que pensa grande foca na coletividade e não no minúsculo mundo burguês, capitalista e sem solidariedade capaz de priorizar a máquina e sufocar a sobrevivência e a dignidade da pessoa humana.
 

Comentários:

07/04/2011 - Cássia

Sr. Antonio nota 10 pela matéria e 0 p/ as autoridades responsáveis pelo trânsito de nossa cidade.

05/04/2011 - fernando alves diniz

exelente. comentario do SR. Antonio de castro, só nos resta nem diria cobrar, e sim forçarmos as nossas autoridades tomar algum tipo de atitude.

04/04/2011 - josé batista de almeida

Patos de Minas ganhou ritmo de cidade grande e junto trouxe o desconforto dos engarrafamentos de trânsito. Agora não sabemos como tomar controle da situação. Pois, quem poderia imaginar que em tão pouco tempo a frota de veículos auto motores chegasse a um número tão grande como agora. Qual seria a melhor solução a ser tomada em tempo hábil, sem incomaodar aqueles que realmente necessitam de seus veículos como ferramentas de trabalho ou lazer? Estamos em plena modernidade e tudo está em constante transformação e as pessoas precisam de maneiras mais ágeis para se locomoverem. Pois, o progresso é inevitável. Então, qual seria a melhor resposta para antender as necessidades do povo sem sacrificá-lo. Solucionar os problemas existentes, não é lá tarefa muito fácil. Mas, se houver boa vontade tudo se resolve. Claro que este problema não é problema só dos governantes. É também da população que, querendo juntos e com um pouquinho de conciência, poderão ajudar a amenizá-lo, para que ele não se transforme em caos. Dentre estas e outras coisas, duas delas podemos ter plena certeza: O Desenvolvimento de nossa cidade não pode parar por falta de boas ideia e iniciativas; E que ainda, muitas outras centenas de carros, motos, caminhões serão vendidos agora e no futuro. Mas, esta é outra história... Por; José Batista Almeida

03/04/2011 - Helton Maciel

Parabéns Antonio, falou quase tudo, e ainda posso dizer mais um pouco sobre essa desordem, essa calamidade, este crime que está acontecendo em nossa cidade. Toda essa desorganização está principalmente na sincronias dos semáforos, no tempo certo de ficar no verde, meu Deus como é faço resolver isso. Não sei o que pensa a diretoria de trânsito. Acho que um pouquinho de criatividade não faz mal a niguém. Fico com vergonha quando chega parentes de fora, e anda em Patos de Minas, escuto só críticas. É, me parece que estão brincando com o povo, e isto é ruim. Abraços.

29/03/2011 - André Luis - Brasília (DF)

Concordo com o Antônio. O transito de Patos é e a tendência é ficar cada vez mais caótico, por falta de ionvestimeto e estruturação. Patos cresceu e nossos governantes não perceberam. É preciso rever o que está errado e implantar melhorias. Como exemplo, seria interessante implantar ( e exigir a respeitabilidade ) as faixas de pedestre, a exemplo do DF. Aqui o avanço a faixa rende multa, pontos na carteira e dependendo do local ( em frente a hospitais por exemplo ) até apreensão do veículo.

29/03/2011 - Regina Célia

Parabéns Antônio. Você apontou os erros e mostrou soluções. Um abraço.

28/03/2011 - Flávio Mello.

O Sr. Antônio Ribeiro de Castro fez um comentário dizendo a Real dos problemas que temos em nossa cidade. Acho que nossa Prefeita esta esquecendo que nosso trânsito tem mesmo que ser municipalizado , nós não somos diferente de Juiz de Fora que tem um trânsito exemplar.Uma cidade como Patos de Minas Linda bem localizada, cidade polo da Saúde e Educação superior já é hora demudar para melhor.

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